segunda-feira, 23 de julho de 2012

Legado Olímpico

Enviado por Rádio do Moreno -
23.7.2012
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11h01m
JACQUES ROGGE

Legado olímpico

Ao fim de todos os Jogos Olímpicos, cabe ao presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) a difícil tarefa de caracterizar os 16 dias da competição em poucas palavras. Excepcionais, magníficos, inesquecíveis, foram apenas algumas das palavras usadas para descrever as edições mais recentes do Jogos durante meu mandato como presidente .

No entanto, como nos lembraremos de Londres? Como batendo todos os recordes? Certamente. Divertido? Sem dúvida nenhuma. Chuvoso? Vamos torcer que não.

Quaisquer que sejam os caprichos do tão comentado clima britânico, os próprios Jogos já têm todos os elementos necessários para o sucesso — não apenas durante as duas semanas da competição, mas por muito, muito tempo depois que a chama tiver sido apagada. Graças aos organizadores, que deram um base sólida aos Jogos, enraizando-os profundamente na ideia de legado: no que ficará quando o último atleta apagar as luzes na Vila Olímpica e voltar para casa.

Londres 2012 vai deixar muita coisa para os cidadãos da cidade e do país-sede. De cada libra gasta na infraestrutura, 75 centavos foram dedicados a objetivos relacionados com o legado. Esta iniciativa ajudou a financiar a transformação radical de uma vasta parte da Zona Leste de Londres, um aterro contaminado e negligenciado, em um novo e brilhante Parque Olímpico, que será convertido numa comunidade inovadora e sustentável oferecendo empregos, residências, escolas e atividades de lazer depois dos Jogos. Graças à Companhia do Legado do Parque Olímpico, seis dos oito locais permanentes dos Jogos já encontraram ocupantes para depois dos Jogos — um ótimo resultado por si só.

O legado nem sempre ocupou o principal lugar durante o planejamento dos Jogos Olímpicos. O COI reconheceu que, para que uma cidade possa realmente utilizar os Jogos Olímpicos como uma alavanca, um catalisador de renovação sustentável, o legado deve ser planejado desde o começo. É por isto que passou a exigir que todas as cidades candidatas definam seus objetivos e estratégias a longo prazo a partir do momento em que se tornam cidades candidatas. Isto para que, se sua candidatura for bem-sucedida, os organizadores dos Jogos tenham uma visão clara do que implicam os sete anos de preparação para os Jogos Olímpicos e depois.

Cada nova sede olímpica também tira lições da experiência das sedes anteriores, graças ao programa de transferência de conhecimentos do COI, que oferece uma enorme quantidade de informações, incluindo estudos de casos de programas e iniciativas de Jogos anteriores, estudos de impactos dos Jogos Olímpicos e relatórios técnicos.

Uma das primeiras cidades que pôde realmente ser beneficiada por este planejamento prévio foi Barcelona. Como Londres, Barcelona aproveitou-se da oportunidade de organizar os Jogos Olímpicos em 1992 para regenerar algumas partes mais negligenciadas da cidade, inclusive 10 hectares de terreno industrial à beira-mar. A área da costa revitalizada transformou a cidade, assim como o enorme aumento na oferta de alojamento, graças aos Jogos, que puseram Barcelona no mapa em termos de turismo. O número de turistas na cidade aumentou, por exemplo, de menos de 2 milhões por ano antes dos Jogos a mais de 7,4 milhões no ano passado.

Desde então, tivemos muitos outros exemplos. Lillehammer 1994 criou um padrão de Jogos Olímpicos "verdes", organizando o evento com benefícios sociais e ambientais em mente; Sydney 2000 incluiu a criação de um dos maiores parques urbanos da Austrália; Pequim 2008 levou 400 milhões de crianças a aprenderem os valores olímpicos, durante um programa concebido para educar a juventude através do esporte; enquanto que Vancouver 2010 trouxe melhorias importantes dos transportes, inclusive a adição de 180 ônibus híbridos movidos a eletricidade e diesel, uma nova linha de metrô ligando o aeroporto ao centro da cidade, e uma reforma da autoestrada "Sea-to-Sky" que tornou a viagem de Vancouver a Whistler mais segura e mais rápida.

Os organizadores dos Jogos de Londres se beneficiaram grandemente das realizações das sedes olímpicas anteriores, graças ao programa de transferência de conhecimentos do COI e a outras iniciativas relacionadas ao legado. Logo será a vez de Londres de ajudar as futuras sedes olímpicas a melhorarem seus projetos.

Nos lembraremos dos XXX Jogos Olímpicos como excepcionais, magníficos ou inesquecíveis? Só o tempo pode dizer. Mas uma coisa é certa: tudo em Londres 2012 está pronto para deixar um legado duradouro.
Jacques Rogge é presidente do Comitê Olímpico Internacional.

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